TERRITÓRIO ESTRELA-SUL

Um Território com Identidade


Possui 15 freguesias, de baixa densidade, dos concelhos da Covilhã e Fundão. Território com 3 zonas geográficas distintas, com uma identidade e características sui generis: os planaltos Torre/Penhas da Saúde, onde se iniciam vales sedimentares, na direção sul, dando origem a planícies na foz das ribeiras que desaguam no rio Zêzere; as Minas da Panasqueira e a zona do pinhal do Fundão. Tem caraterísticas estruturais de montanha onde se encaixam a Cordilheira Central, constituída pelas Serras da Estrela a Norte, da Gardunha a Sudeste, do Açor a Oeste e a do Muradal a Sul. Este complexo influencia o seu clima, os cursos de água, paisagens e atividades socioeconómicas. Em termos físicos, realce para o Rio Zêzere e seus afluentes, o Pinhal, o Volfrâmio, o Xisto, entre outros. Recortado por ribeiras, na sua maioria sem margens para a agricultura, observamos socalcos construídos, para o efeito. Os terrenos mais ricos do ponto de vista agrícola são as planícies da foz das ribeiras de Cortes e Unhais da Serra e que se estendem por Ourondinho, Erada, Paul e Ourondo. No manto vegetal, destaca-se o pinheiro, daí a denominação de Zona do Pinhal com uma superfície florestal de 86% do território. Existem duas zonas protegidas: PNSE e a Paisagem Protegida do Açor. O casario tradicional possui uma arquitetura própria à base de granito e xisto.

Existem 3 Aldeias do Xisto (Barroca, Janeiro de Cima e Sobral de São Miguel). A economia europeia desde 80, assente, na lógica das grandes empresas, deu lugar a pequenas iniciativas. As povoações surgiram nas proximidades das ribeiras e do rio, com solos de aptidão agrícola ou mineral. Estas comunidades afastadas dos grandes centros económicos tiraram partido dos recursos, a terra (exploração mineira) e a água como força motriz para os lanifícios, moinhos e lagares. Até 1900, a silvopastorícia ocupava grande parte da economia local. Nos finais do século XIX, teve início a exploração mineira (1895) e os lanifícios, Unhais da Serra (1930) como principais empregadoras do território que ainda se mantém. A partir da década de 80 surgem as confeções como resposta à crise do têxtil. Emergiram outras atividades, extração de ardósias, turismo e ação social. As explorações agrícolas são de pequena dimensão e pouco mecanizadas, registandose a existência de 867 exlporações com uma SAU de 2.683 ha. A pecuária é composta por ovinos, caprinos e alguns bovinos. Recentemente, a suinicultura e a avicultura têm-se destacado. As culturas principais são as forrageiras e cereais. O olival merece algum realce. A floresta e seus múltiplos têm um papel importante. Na indústria agroalimentar releva-se o queijo e os produtos biológicos. A população ativa empregada no setor terciário representa 53%, seguindo-se o secundário com 43% e o primário com 4%. O território apresenta um forte processo de terciarização. A principal preocupação é o envelhecimento e o despovoamento jovem, confirmados pelos censos 2001-2011. A população decresceu 14% correspondente a 2.000 pessoas. A comunidade escolar reduziu 35% entre 2001/12. O índice de envelhecimento é de 1,4, com um índice de dependência total de 81%. Estas evidências estão relacionadas por um lado com a diminuição da natalidade e por outro, devido à incapacidade do território em compensar a diminuição do saldo fisiológico negativo, com a atração de novos residentes. A densidade populacional é 27,32 hab/km2, acentuando assim, a periferia e perda de vitalidade económica e social do território. As tradições culturais são outro elemento diferenciador da identidade local, só assim se justifica que Michelle Jacometi tenha feito aqui muita da sua recolha Etnomusical. O desenvolvimento do território, nos inícios do século XX, estruturou-se em torno de dois pólos, o primeiro localizado nas Minas da Panasqueira (volfrâmio) e o segundo em Unhais da Serra (lanifícios) que originaram prosperidade nas economias locais. Com a grande oferta de emprego, a população disparou para o dobro, em 1900 os residentes eram 15.827 e em 1960, 29.398 habitantes. Este aumento adveio dos fortes fluxos migratórios para esta região. Com as crises destes setores, a partir de 1960, começou-se a registar uma profunda reestruturação do mercado laboral e das economias locais, com a destruição maciça de empregos. Nem mesmo o surgimento da atividade das confeções em várias freguesias na década de 80 foi suficiente para absorver toda a mão-de-obra disponível. É neste contexto, que a principal questão social neste período foi, e continua a ser, a falta de oferta de emprego originando o aumento de pobreza. O encerramento de serviços públicos agudizou o problema.

Neste contexto, o território enfrenta uma nova realidade, com o regresso de velhos problemas e de novas questões de exclusão que é necessário dar resposta, neste novo ciclo perverso de declínio económico e social. É um território eminentemente rural e com contínua perda demográfica; tal dinâmica é contrária à recente mudança da tendência a nível nacional que se registou em 2014 com um aumento do número de nascimentos. A perda demográfica é mais acentuada no escalão etário (16-64 anos) o que constitui a principal ameaça à sustentabilidade demográfica. Esta é penalizada duplamente pelo aumento relativo da população envelhecida e mais dependente e pela saída de pessoas que estariam em condições de criar rendimento, mas não encontram suficientes oportunidades de emprego. Se analisarmos a variação de população porfreguesia é curioso notar que apenas a freguesia de Unhais da Serra evoluiu de forma contrária à tendência. Tal observação permite concluir que isso se deveu ao facto de se terem promovido iniciativas de investimento que criaram emprego atraindo novos residentes, ainda que no total do território o fenómeno de perda demográfica se verifique. Importa, por isso, determinar quais as freguesias que podem vir a desempenhar um papel de atração que sustente a população global neste território com o objetivo de estancar a sangria populacional, uma vez que o número de jovens até aos 20 anos ronda os 12,5% da população. Destes, 764 estudam nas escolas até ao 3º ciclo e representam apenas 6,5% de toda a população. Felizmente existem freguesias com dinâmicas económicas já criadas e perdas demográficas menos acentuadas que podem sustentar a população jovem num futuro próximo. As atividades económicas mais relevantes foram e são, sem dúvida, as que se ligaram ao têxtil, ao turismo e à criação de marca (respetivamente Penteadora, Termas de Unhais e Aldeias de Xisto). Produtos da fileira agroflorestal (mel, cogumelos, frutos vermelhos), agrobiológicos como a Quinta da Caravela (base de soja), agropastorícia, azeite, entre outros, sucedem-se no grupo das intenções de investimento recolhidas. A recuperação de património edificado e religioso deverá ainda continuar, pois permite a organização de eventos e festividades geradoras de receita para as comunidades. A economia social teve um desenvolvimento bastante acentuado no quadro comunitário 2007/2013 (creches, lares, atendimento de idosos, centros de dia).

Assim, não se prevê um aumento deste tipo de respostas nos próximos tempos. Registe-se a terciarização clara do território com a população ligada ao setor primário a atingir os valores de média e referência nacional que raramente ultrapassam os 4-5%. O desemprego ronda os 12% e a População Ativa os 38%. A atividade económica é diversificada (inúmeras serralharias, carpintarias, queijarias, restauração, lagares, confeções, padarias e pastelarias, produção de aves, oficinas automóveis, higiene e reciclagem de produtos, construção civil, empresas sociais e outras). No entanto, consideramos que as fileiras, têxtil, hotelaria e extração mineira desempenham um papel mais forte em termos de VAB, com empresas e serviços em atividade como a Penteadora (lanifícios), H2otel (hotelaria e termalismo), Hotel Serra da Estrela (hotelaria e atividades de montanha), a zona do Couto Mineiro com a Sogitz Beralt (extração mineira). A freguesia de Aldeia de S. Francisco de Assis é de mono industria fortemente influenciada pelas Minas da Panasqueira. Há ainda uma presença industrial de significativa importância muito relacionada com o têxtil, na freguesia de Janeiro de Cima/Bogas de Baixo (associadas ao turismo com tecelagem artesanal). Em Silvares (pedra, alumínios, restauração). No Barco/Coutada, Peso/Vales do Rio (salames, pastelaria e confeção). Em Bogas de Cima e Cortes do Meio (serraçãomadeiras). Na agricultura e pecuária salientam-se as freguesias da Erada, Casegas/Ourondo, Unhais da Serra e Cortes do Meio (caprinos), Cortes do Meio e Paul (bovinos), Paul (ovinos), São Jorge da Beira, Peso/Vales do Rio, Barco/Coutada e Bogas de Cima (azeite). O número de desempregados ou à procura de 1º emprego é relativamente baixo (comparado com o nacional) e explicado pelo êxodo rural que resolveu o problema de forma artificial. Não deixa de ser preocupante o número de pensionistas e reformados existentes que ultrapassa a média de 50% em quase todas as freguesias, com exceções de Cortes do Meio, Peso/Vales do Rio, Paul e Bogas de Cima. As freguesias do território GAL Rural ADERES Estrela-Sul estão bem servidas de infraestruturas básicas, apesar de algumas insuficiências nas ligações de transportes e/ou vias rodoviárias; têm ainda asseguradas funções administrativas de base local como sejam, educação, saúde, serviços e comunicações.

De acordo com os Indicadores para a Qualidade fornecidos pelo INE cuja informação sintetizamos, uma instituição de ensino superior a Universidade da Beira Interior; dois agrupamentos de escolas de 1º, 2º e 3ºciclos; 10 farmácias; uma ULS e um Centro Hospitalar e inúmeros espaços culturais, qualificados no Quadro 2007-2013. Ainda tendo em conta o INE, os índices diversos calculados em relação à qualidade de vida nas localidades também nos permite afirmar que a situação é mediana; com efeito o território em apreço apresenta um Índice Sintético de Desenvolvimento Regional de 99,70; um Índice sintético de Coesão de 101 e um Índice de Qualidade Ambiental de 107,98. A principal preocupação é o índice da Competitividade que atinge um valor abaixo da média, na casa dos 90. Um fator relevante é a qualidade ambiental acima da média, possibilitando o aumento dos rendimentos e competitividade das ações ligadas ao turismo e ambiente.

Território Estrela-Sul

Um Território com Identidade